Embora seja uma província de porte médio em termos populacionais na África do Sul, o setor de jogos de azar em Mpumalanga vive um período de florescimento contínuo. Vusi Mtsweni, CEO do órgão regulador local, detalhou os motivos pelos quais a reputação de estabilidade e integridade da região a transformou em uma das jurisdições mais influentes do país.
Mpumalanga é a segunda menor das nove províncias sul-africanas em área territorial, e sua população de aproximadamente 5,1 milhões de habitantes ocupa apenas a sexta posição no ranking nacional.
Contudo, dados recentes do Conselho Nacional de Jogos revelam que a Receita Bruta de Jogos (GGR) de Mpumalanga para o ano fiscal de 2024/25 atingiu R22,25 bilhões (cerca de US$ 1,15 bilhão). Esse valor ficou atrás apenas do total de R23,13 bilhões registrado no Cabo Ocidental.
Mesmo compondo apenas 6,3% do território da África do Sul e 8,3% de sua população, Mpumalanga foi responsável por 29,9% do GGR total do país.
Segundo Mtsweni, CEO do Regulador Econômico de Mpumalanga (MER), a província consegue um desempenho muito acima do esperado devido à sua credibilidade. Ele afirma que o órgão construiu uma imagem progressista sem ser imprudente, mantendo a inovação sem comprometer os padrões regulatórios ou a independência institucional.
“Acredito que o que distingue Mpumalanga é a qualidade de sua governança. O MER mantém resultados de auditoria favoráveis desde sua criação em 1995. São três décadas de disciplina financeira, prestação de contas e cumprimento das leis”, destacou o executivo.
Por que os operadores escolhem Mpumalanga?
Mtsweni aponta que a estabilidade na liderança é outro ponto forte, permitindo que o regulador tome decisões consistentes com foco em resultados de longo prazo. Essa previsibilidade cria confiança entre as empresas do setor.
“Na minha experiência, os operadores não buscam necessariamente o regulador mais permissivo, mas sim aquele em quem podem confiar”, explica Mtsweni. Ele reforça que a integridade é o principal valor: as empresas sabem que a lei será aplicada e que o descumprimento gera consequências, mas também confiam que as decisões são tomadas de forma justa e transparente.
Para o CEO, o sucesso não é medido pelo tamanho da província, mas pela confiabilidade. O papel do regulador, segundo ele, não é gerir os negócios das operadoras ou criar burocracias desnecessárias, mas estabelecer padrões claros e intervir apenas onde surgem riscos reais.
O futuro das apostas online na África do Sul
O MER foi o primeiro regulador de jogos estabelecido na era democrática da África do Sul e um dos pioneiros no licenciamento de cassinos. Atualmente, o órgão desempenha um papel central no suporte ao setor online, que segue em expansão.
Ulrik Bengtsson, CEO da Sun International, previu recentemente que o mercado de jogos online sul-africano deve dobrar de tamanho até 2030, alcançando aproximadamente R100 bilhões. Mtsweni compartilha dessa visão otimista, esperando um mercado cada vez mais digitalizado.
“A tecnologia está remodelando todo o ecossistema, desde o processamento de pagamentos até a forma como reguladores conduzem a supervisão”, afirma Mtsweni. Ele observa que a distinção entre os setores tradicionais de jogos está desaparecendo, com consumidores buscando conveniência e experiências digitais integradas, independentemente da origem do produto.
Entretanto, o crescimento do ambiente online traz novas responsabilidades. Mtsweni enfatiza que o investimento em monitoramento comportamental, educação do consumidor e ferramentas de jogo responsável baseadas em dados será crucial. “A tecnologia pode ser parte do problema, mas também é fundamental para a solução”, concluiu.
